O inefável foi sentido no corpo, e, justamente por isso, é do corpo, não está elevado aos céus, ainda que continue transcendental, ainda que se sugira o divino pelo tamanho impacto inexprimível. Porém, não estamos em tempos medievais. Singularmente,a vivência trouxe um quase-quê, aquilo que na ponta da língua é impossível de tradução, mas que impulsiona o fazer sentido, o ter de dizer. Afasia seria um nome significativo, se não tivessem adoecido a palavra, o fato é que o nó na garganta é propulsor das muitas palavras que concatenadas usam-se e formam o universo das relações e o concreto simbólico do mundo da linguagem. A proposta é que a mudez resoluta da inefabilidade é mãe de todo assobio comunicativo numa tentativa inócua de resgatá-lo pleno, assim como o homem quer seu ascenso ao paraíso após a queda, mas que sempre lhe faltará. O homem está condenado, não é nenhuma novidade, e caminha para a derrota taxativa, a morte, onde não poderá dizer uma mísera palavra nem escutar o seu silêncio abismal. Queria ele, ainda razoável, ter a expressão da experiência indizível, poder ler com verborreia uma página em branco, ser locutor do impossível, além dessa vívida imaginação que só parte adiante do primeiro A, e daí se faz todas as caraminholas possíveis no transcorrer dos tempos como novo, vanguarda ou tradição. E diante da experiência subjetiva do “não A”, ou seja, daquilo anterior à letra, o que não se concatena, o que não se significa, mas é pleno de significado porque toma todo
Peso: | 0.1 kg |
Número de páginas: | 52 |
Ano de edição: | 2025 |
ISBN 10: | 8536670274 |
ISBN 13: | 9788536670270 |
Altura: | 21 |
Largura: | 14 |
Comprimento: | 1 |
Edição: | 1 |
Idioma : | Português |
Tipo de produto : | Livro |
Assuntos : | Poesia e Poemas |
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