O título acima parece de composição infantil: “A bola. A bola é redonda e com gomos que nem mixirica.” Vou fazer tudo para não perder para o Joãozinho. Para humilhá-lo de cara, é com Platão que pretendo abrir minhas sandices sobre a bola. Platão achava que a esfera era a mais perfeita figura geométrica. A bola é tudo isso e ainda é pouco. É mais que simples perfeição geométrica, chutada ou manuseada pelo homem desde a aurora dos tempos, num jogo ancestral cuja origem está na magia, nos mitos dos selvagens, e mesmo em seus tabus. Esse significado mágico da bola na manhã da humanidade vai além da vida, de seu sentimento, de sua configuração evocativa do sol e da lua. Percebe-se como a bola deva ter sido – e ainda o é – um objeto impressionante e misterioso, obediente às leis dinâmicas e, ao mesmo tempo, submissa aos azares de um impulso de qualquer natureza. A bexiga revestida era um assombro para os primitivos, não só porque era jogada e chutada pelos homens mas, inclusive, porque por ser oval também jogava com eles: tinha seus dribles, suas surpresas. A bola é uma forma perfeita, fechada em si mesma, infinitamente sedutora porque é capaz de descrever em sua trajetória “arcos maravilhosos, uma alegria que nos faz esquecer todo o resto” (Rilke). Por seu comportamento, quando movimentada, ela é, num só tempo, agressão e alegria de uma performance – o futebol, um desempenho viril, próprio do homem, aliado a um esquema significativo sob o qual se ativam seu estar-no-mundo e seus v
Peso: | 0.3 kg |
Número de páginas: | 192 |
Ano de edição: | 1996 |
ISBN 10: | 8521309082 |
ISBN 13: | 9788521309086 |
Altura: | 23 |
Largura: | 16 |
Comprimento: | 1 |
Idioma : | Português |
Assuntos : | Marketing |
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